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VALOR ECONÔMICO: GREVE DE AUDITORES FISCAIS COMPLETA 28 DIAS E AFETA MAIS AS IMPORTAÇÕES

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16 de abril, 2008 por Poliana Nunes

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal – que completa um mês na sexta-feira, sem perspectivas de terminar – acumula prejuízos para as empresas e afeta a balança comercial, principalmente na importação. Apesar do crescimento da economia, as importações recuaram 13% nas duas primeiras semanas de abril em relação a março pelo critério de média diária, conforme a Secretaria de Comércio Exterior. Na mesma comparação, as exportações subiram apenas 0,5%. 

Em Manaus, 18 empresas tiveram as linhas de produção parcialmente paralisadas por falta de insumos importados, segundo o Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares (Sinaees). Estão nessa lista fabricantes de eletroeletrônicos, celulares, bicicletas e outros itens. Até o início do mês, apenas oito companhias haviam sido afetadas. O volume de mercadorias aguardando liberação em Manaus chega a US$ 150 milhões e cerca 7 mil trabalhadores estão em férias remuneradas. 

Segundo Wilson Périco, presidente do Sinaees do Amazonas, o prejuízo das empresas da região com a greve já chega a R$ 1 bilhão. Esse dado inclui as perdas das companhias que tiveram as linhas de produção interrompidas e também o impacto para seus fornecedores, como fabricantes de plásticos e embalagens, que foram obrigados a reduzir a produção. 

Com o espaço nos terminais de carga praticamente esgotados devido à greve dos auditores, dois navios tiveram de desviar ontem do porto de Santos à procura de outro destino. Essa situação deve se repetir com maior freqüência nos próximos dias, à medida que até 95% da capacidade de armazenamento no porto está exaurida, disse o gerente-executivo do (Sindicato das Agências de Navegação Marítima de SP, José Roberto Mello. O porto de Santos estava ontem com mais de 150 mil contêineres, repletos de produtos parados em seu pátio, que se acumulam desde que a greve começou. O acúmulo representa um volume estimado de mais de US$ 9 bilhões em mercadorias. 

"A greve agora impacta claramente a balança comercial", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Com exceção de químicos, fertilizantes e leite, praticamente todos os setores tiveram queda na importação nas duas primeiras semanas de abril comparado com março pela média diária. As importações recuaram 9,9% em equipamentos mecânicos, 7,4% em equipamentos elétricos e 14% em automóveis e autopeças nesta mesma comparação. 

O impacto da greve dos auditores é pior para as importações, que estão mais sujeitas à fiscalização do que as exportações. O "canal verde", por exemplo, que libera os produtos sem interferência dos fiscais, beneficia um percentual maior de produtos exportados do que importados. Uma parcela das exportações é composta de itens perecíveis, que têm prioridade no desembaraço. Nas importações, a maior parcela corresponde a produtos e insumos industriais. 

Segundo a Secex, a redução das importações está concentrada nos manufaturados, cujas vendas recuaram 7,4% nas duas primeiras semanas de abril em relação a março pelo critério da média diária. As vendas externas de material de transporte caíram 21% nessa comparação, principalmente por conta da dificuldade nas aduanas da fronteira com a Argentina. 

A greve dos auditores da Receita Federal começou no dia 18 de março. Na segunda-feira, eles decidiram em assembléia que vão continuar o movimento até que suas reivindicações salariais sejam atendidas pelo governo. Os empresários do Amazonas reclamam que é o sexto ano consecutivo de greve. Segundo cálculo do Sinaees, são 440 dias de prejuízo apenas nos últimos três anos, se somadas as greves dos fiscais dos ministério da Agricultura e dos funcionários dos Correios. Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), as últimas greves ocorreram em 2006 e 2004 com duração de dois meses cada. A entidade diz que em 2007 ocorreram apenas duas paralisações – uma de 24 horas e outra de 48 horas.

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