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Servidor no topo da renda nacional

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25 de outubro, 2013 por Poliana Nunes

Graças ao recuo da inflação, o salário médio real dos trabalhadores cresceu pelo segundo mês seguido e atingiu, em setembro, R$ 1.908, o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002. A remuneração avançou 1% sobre agosto e 2,2% sobre o mesmo mês do ano passado. As disparidades entre os ganhos na iniciativa privada e na carreira pública, contudo, são muito grandes. A renda média dos servidores, de R$ 3,2 mil, é 84,5% maior do que a de profissionais com carteira assinada no setor privado, de R$ 1,7 mil.

 

Apesar de registrar a maior alta (5,1%) entre os trabalhadores em setembro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2012, a remuneração dos empregados domésticos, de apenas R$ 800,50, ainda equivale a menos da metade da média de todas as outras categorias. Não à toa, é a profissão que mais perde contingente de trabalhadores desde 2010. 

 

Na avaliação do gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, o aumento de 3,2% no rendimento real da indústria foi responsável pelo avanço do salário médio de todo o mercado de trabalho no período. Segundo ele, o ganho industrial ficou em R$ 1.921,40 em setembro, o que alavancou a renda média real total para R$ 1.908, 

 

Azeredo não descartou a possibilidade de a resolução de dissídios coletivos terem contribuído para o bom desempenho dos ganhos dos trabalhadores industriais no mês ante agosto. Entretanto, na comparação com setembro do ano passado, o saldo também é positivo: alta de 3,7%, contribuindo para o avanço de 2,2% na renda média real do mercado de trabalho como um todo no mesmo período.

 

O pesquisador destacou que os salários da indústria, historicamente, são mais elevados do que os de outras atividades, como comércio e serviços domésticos. “Isso, na prática, seria uma boa notícia em termos de elevação no poder aquisitivo do trabalhador”, avaliou. No entanto, admitiu que o desempenho teria sido melhor não fosse o comportamento do comércio. Nesse segmento, houve recuo de 1,8% no rendimento médio real em setembro ante agosto, de R$ 1.505,65.

 

Comércio fraqueja

 

Para o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes, além de estar com as vendas muito menores este ano, e isso afetar negativamente o rendimento dos funcionários que ganham comissão, o comércio é o setor que mais absorve os trabalhadores domésticos que trocaram de profissão. “O varejo é o segmento que mais oferece oportunidades para quem quer deixar o serviço doméstico, que tem uma remuneração muito baixa. É uma porta de entrada importante para o mercado de trabalho, porque exige um nível de escolaridade mais baixo. Mas não podemos esquecer que as vendas, que cresceram 8,2% em 2012, agora estão evoluindo a taxas inferiores a 4%. Isso também tem impacto negativo nos salários do comércio”, comentou.

 

Outro fator que pode explicar o recuo na remuneração média do comércio é que o setor começa a contratar os trabalhadores temporários para o movimento de fim de ano nesta época. “Quanto mais gente disponível para trabalhar, menor o salário oferecido pelos comerciantes. É a lei da oferta e da procura”, explicou Bentes.

 

De acordo com Cimar Azeredo, do IBGE, ainda que o recuo na inflação tenha ajudado na recuperação dos salários, a carestia permanece elevada o suficiente para impedir que a renda avançasse mais em setembro. “Se não fosse a inflação do mês, a renda teria subido 1,3% e não somente 1%”, afirmou. 

 

Desemprego sobe

 

A taxa de desemprego também aumentou em setembro, embora timidamente. O índice de desocupação no país, segundo o IBGE, passou de 5,3% em agosto para 5,4% em setembro, acima do esperado e interrompendo uma sequência de duas quedas. Apesar do aumento na avaliação mensal, o índice é igual ao registrado em setembro de 2012 e ambos são o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 2002.

 

“O desemprego muito baixo é o principal responsável pela falta de competitividade da economia, por conta do aumento dos custos com salários. Isso também tem impacto na pressão inflacionária, porque, com mais pessoas empregadas, há mais renda e, consequentemente, mais consumo”, explicou o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank (BES), Flávio Serrano. Ele ressaltou, no entanto, que a leve alta da desocupação ainda é pouco significativa para mudar esse quadro.

 

Fonte: Correio Braziliense – 25/10/2013

 

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