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Serviço público não está imune à desigualdade salarial entre mulheres e homens

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03 de dezembro, 2019 por Luiz Antonio

Pesquisadora do Ipea, Janine Mello analisou a participação de mulheres no serviço público dos três poderes, dos últimos 30 anos, e mostra que cargos de chefia são entregues majoritariamente a homens

Até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é realizada campanha anual de 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres. Geralmente iniciada em 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, este ano a mobilização foi antecipada e estendida para 21 dias de conscientização da sociedade.

A violência que os movimentos sociais de mulheres pedem fim incluem, para além de agressões físicas, a discrepância salarial no mercado de trabalho. Muitas vezes considerado um espaço democrático e imune a este tipo específico de desigualdade, o serviço público também é espaço de práticas históricas em que homens ganham mais do que mulheres, mesmo que estas sejam maioria na administração pública.

Janine Mello, Diretora-Adjunta de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgou resultados de uma análise feita sobre os últimos 30 anos, referente à participação de mulheres em posições de poder da estrutura governamental em âmbito não eletivo. A fala foi proferida em palestra realizada nesta terça-feira, 3, na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados (veja vídeo completo abaixo). O evento contou também com a participação de Andreza Aruska, professora da Universidade de Oxford, que avaliou a participação das mulheres nas organizações de base.

Mello ressaltou inicialmente a crescente inserção das mulheres no setor público e privado. Enquanto que, em 1986, as mulheres representavam 32,1% da força de trabalho, em 2017, este número subiu para 43,3% das ocupações formais. No setor público, as mulheres são maioria. Dados de 2016 apresentados pela pesquisadora apontam para 60% de participação. Entretanto, Janine ressalta que questões de segregação ocupacional e diferenças salariais entre mulheres e homens permanecem nos dois setores.

Chefias masculinas

Para a pesquisadora do Ipea, às vezes se pensa que a situação das mulheres no serviço público seria melhor, tendo-se em vista que a entrada é por meio de concursos públicos. Entretanto, observa-se que as desigualdades são mantidas e são perceptíveis. “As mulheres são majoritariamente presentes no setor público municipal, especialmente nas atividades de saúde e educação. Nos estados, elas também são maioria e recebem bem menos que os homens. Entretanto, na União, elas são minoria”, demonstra.

“As mulheres recebem menos em todos os casos, em todas as situações, nos três níveis e nos três poderes. A única exceção seria no nível federal quando a gente inclui na conta os servidores militares, porque existe uma grande quantidade de soldados homens de baixa remuneração. Mas se desconsiderarmos esses servidores, as mulheres ganham menos sempre”, explica.

A forma de ingresso no serviço público por meio de concursos democráticos levanta questionamentos sobre a análise, mas Janine Mello esclarece. “Se os salários de entrada [no serviço público] são iguais, por que existe essa diferença? As mulheres ocupam cargos dentro das carreiras gerenciais gerais, mas quando a gente olha a ocupação dos cargos de chefia, a gente percebe quem consegue chegar aos cargos mais elevados e porque as mulheres não conseguem. Existe uma distribuição majoritária de cargos DAS entre homens. Mulheres ficam em cargos mais baixos”, afirma Mello, citando a equipe de ministros como exemplo, que hoje conta com apenas dois nomes de mulheres.

Além deste ponto, Janine ainda comenta uma outra percepção que precisa de pesquisa aprofundada. “As mulheres são minoria nas carreiras de salários mais altos, e isso é algo que temos tentado entender. O que dificulta a entrada nas mulheres nessas carreiras?”, questionou.

Fonte: Condsef

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