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Lúpus: sem cura, mas sob controle

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13 de maio, 2013 por Poliana Nunes

 

Uma doença que pode surgir em qualquer época da vida e não tem cura. Ainda assim, é possível conviver com ela, desde que o paciente siga o tratamento de forma adequada. Trata-se do lúpus eritematoso sistêmico (LES). Existem dois tipos. O primeiro, o eritematoso, atinge apenas a pele, provocando manchas avermelhadas em áreas mais expostas à luz solar, como braços, orelhas, rosto e colo. Já o segundo, o sistêmico, pode prejudicar coração, rins e pulmões.

Os principais sintomas são mal-estar, febre, dor e inchaço nas articulações, queda de cabelo, feridas na boca, manchas na pele, entre outras manifestações. "A gama de sintomas é vasta e pode acometer qualquer órgão ou tecido do organismo", explica o médico reumatologista Gustavo Lamego de Barros Costa, vice-presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia.

Rara, a doença pode acometer qualquer pessoa, mas a incidência é mais comum em mulheres jovens, entre 20 e 45 anos, manifestando-se com maior frequência em mestiços e nos afrodescendentes (independentemente do sexo). De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a estimativa é de que existam cerca de 65 mil pessoas com lúpus no país, sendo a maioria do sexo feminino. Ainda segundo a entidade, uma em cada 1.700 brasileiras possivelmente tem a doença. Informações do Ministério da Saúde constatam que, apenas no ano passado, 4.475 pessoas foram internadas em decorrência da doença em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), o que custou cerca de R$ 3,5 milhões aos cofres públicos.

Segundo Barros Costa, o lúpus surge em qualquer fase da vida, sem motivos aparentes. Questões genéticas podem ou não influenciar o aparecimento da doença, mas, em geral, a causa ainda é desconhecida. "Temos um sistema de defesa, que é o imunológico e, às vezes, há uma desregulação. Ele passa, então, a atacar algumas células do organismo, e isso é o que chamamos de doença autoimune. O lúpus não é causado por infecção ou bactéria, é o próprio organismo que o desenvolve", afirma.

A doença se manifesta de diferentes formas no organismo, podendo ser de maneira leve ou mais grave. Na maioria dos casos, surgem lesões na pele, especificamente nas bochechas e no nariz, formando um desenho semelhante ao de "asa de borboleta". Além disso, muitos doentes com lúpus têm fotossensibilidade à luz do sol. "Os raios ultravioleta são capazes de ativar o lúpus, sobretudo na pele, e a pessoa desenvolve, depois da exposição à luz solar, manchas avermelhadas na bochecha", acrescenta. Alterações no sangue e dores ou inchaços nas juntas também são comuns. Em casos mais graves, ela pode afetar os rins ou causar inflamações nas membranas do pulmão e do coração. Alterações neuropsiquiátricas como depressão, alteração de humor e até convulsões são mais raras, mas também podem ocorrer.

Gustavo Barros Costa explica que o diagnóstico é feito após uma análise criteriosa das manifestações apresentadas pelo paciente no exame denominado FAN (fator ou anticorpo antinuclear), obtido no exame de sangue. "Quase 100% dos pacientes com lúpus têm o FAN positivo. Mas muita gente que tem o FAN positivo não necessariamente vai desenvolver a doença. Esse fator ajuda para o diagnóstico, mas não é o único avaliado para se descobrir o lúpus", explica.

Medicamentos

O lúpus não tem cura, mas, sim, controle. Segundo o médico, os remédios com corticoide, cloroquina e os imunosupressores são os mais indicados, mas a recomendação varia de pessoa para pessoa. "O tratamento é à base de medicamentos que vão modular o sistema imunológico. Vai depender da manifestação de cada paciente", salienta o médico. Já os sintomas mais leves podem ser tratados com analgésicos e anti-inflamatórios. Segundo o Ministério da Saúde, dois medicamentos indicados para tratar o lúpus — a azatioprina e a ciclosporina (há diversas dosagens) — são ofertados gratuitamente na rede pública.

O vice-presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia ainda explica que outras duas formas de lúpus também são comuns, porém mais leves e têm cura. "O lúpus discoide é quando a pessoa tem só uma lesão na pele e o tratamento é simples, podendo ser com pomada ou remédio. Já o lúpus induzido por drogas é aquele causado após o uso de algum medicamento que dê efeito colateral semelhante aos sintomas do lúpus", finaliza.

Fonte: Correio Braziliense – 13/05/2013

 

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