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Correio Braziliense: sob pressão, UnB estuda proibir trote

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20 de março, 2012 por Poliana Nunes

Precisou acontecer mais um episódio de humilhação de calouros para que o Conselho Universitário (Consuni) votasse o que estava previsto na pauta sobre as regras de convivência na Universidade de Brasília (UnB). Discutido desde fevereiro do ano passado, o documento que prevê a proibição dos trotes sujos, aqueles que ferem a integridade física e moral dos estudantes, será finalmente apreciado na próxima sexta-feira. O colegiado deve deliberar também sobre consumo de bebidas alcoólicas, realização de atividades, plano de responsabilidade e ética dentro da instituição de ensino superior.Essa será a primeira definição de normas para a comunidade universitária. Todos os termos expostos começaram a ser formados a partir de uma consulta pública e de debates que duraram seis meses (leia quadro). Depois disso, foi instituído um relator para consolidar o documento. A votação do Consuni significará diretrizes para coibir agressões no meio acadêmico. "Somos frontalmente contrários a qualquer tipo de violência. Desde alunos que coagem outros a irem para um bar beber, sob pena de retaliação, até aqueles que submetem pessoas a situações humilhantes. Somos contra o trote sujo e a favor de medidas que recebam os universitários", diz o procurador-geral da UnB, Davi Monteiro Diniz.A universidade também considerou positiva a representação entregue ontem ao Ministério Público Federal (MPF) por duas entidades ligadas a pais e alunos em âmbito nacional e distrital. "Só podemos agir administrativamente. O ministério pode atuar criminalmente", ressaltou Diniz. Em conjunto com o pedido encaminhado ao órgão (leia mais na página 22), foi aberta ontem uma investigação na UnB para apurar o ocorrido. Os envolvidos começaram a ser ouvidos. O próximo passo é instaurar uma comissão para analisar possíveis punições, que podem variar de sanções administrativas a expulsões. O Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) quer descobrir autores, quem incentivou o uso de bebidas alcoólicas e confirmar se os estudantes portavam uma arma de choque.PuniçãoPela manhã, o diretor da Faculdade de Tecnologia se encontrou com representantes de quatro centros acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Eles negaram a participação no trote realizado na última sexta-feira, quando 34 alunos aprovados no vestibular de mecatrônica tiveram o corpo pintado e acabaram obrigados a participar de brincadeiras vexatórias. Na área verde ao lado da Faculdade de Tecnologia, veteranos despejaram vodca, tequila e cachaça na boca dos calouros, ajoelhados no chão. No dia anterior, dois novatos, de agronomia e de ciências contábeis, entraram em coma alcoólico após ingerirem bebidas em uma comemoração em um bar da 408 Norte.Na reunião, os representantes dos alunos foram instruídos a manter uma postura de recepção sadia e sem violência. "Essa foi uma atitude isolada de alguns veteranos. O DCE é a favor do trote do bem e da liberdade de escolha. Participa das brincadeiras quem quer. E nenhuma delas deve ferir a integridade do aluno. Comportamentos excessivos são reprovados pelo diretório e devem ser punidos", disse o coordenador da entidade, Pedro Ivo Santana Borges.Na ocasião, nenhuma autorização foi concedida para o uso de bebidas alcoólicas. Hoje, a comercialização é proibida na UnB. Há 109 vigilantes no quadro da universidade e 140 terceirizados para manter a ordem de 32 mil estudantes. "Esses guardas não têm poder de polícia. Somos completamente a favor da conversa com as forças de segurança, como a Polícia Militar, dentro do câmpus. Já temos conversas avançadas sobre esse assunto", afirmou Davi Monteiro. Segundo ele, a presença de policiais poderia coibir o uso de bebidas alcoólicas na UnB, bem como a utilização de drogas como a maconha.Fonte: Correio Braziliense – 20/03/2012

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