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Saiba o que os presidenciáveis querem para o servidor federal

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24 de setembro, 2026

Coluna ouviu Lula, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema

Ainda em clima de eleição, e na esteira da coluna do domingo passado, que trouxe as propostas de quatro candidatos ao governo do Rio para o funcionalismo, agora cinco presidenciáveis respondem quais são seus compromissos com os servidores públicos federais, os canais de comunicação com as categorias e as mudanças a serem implementadas ao longo dos próximos quatro anos.

No Executivo federal, há 1.208.699 servidores — e muitas demandas: em carta enviada aos candidatos à Presidência da República, a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) e a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) apresentaram, juntas, mais de 30 reivindicações.

Entre elas, estão a instituição de um auxílio-nutrição para os inativos, a equiparação do valor dos benefícios entre os Três Poderes e a realização de concursos públicos. No início do ano, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) calculou que deverão se aposentar, até 2030, 70 mil servidores federais.

No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, o governo contempla a criação de 4.704 vagas e o provimento de 32.315 cargos somente para o Executivo. Isso não significa que essas vagas deverão ser criadas, ou que o provimento deverá ocorrer em 2027, mas, sim, que há uma autorização para isso. O Executivo federal também é responsável pelo envio de mensagens ao Congresso Nacional que podem, ou não, ser regulamentadas pelos demais entes.

A coluna procurou os candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), os cinco que mais pontuaram na pesquisa Quaest divulgada no dia 7. As respostas seguem a ordem das intenções de voto no 1º turno. A campanha de Flávio agradeceu o contato e o espaço, mas disse que ele não participaria.

O que os servidores públicos federais podem esperar caso o senhor seja eleito?

Lula: O diálogo será mantido e reforçado com a aprovação do Projeto de Lei (1.893/2026) que regulamenta as negociações com servidores segundo a Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Vamos trabalhar por um serviço público livre de assédio e discriminação e avançar na construção de um ambiente inclusivo, seguro e acolhedor.

Cury: Respeito, valorização e, ao mesmo tempo, profunda modernização. Temos que oferecer condições para que essas pessoas produzam mais, com menos burocracia e com melhores instrumentos tecnológicos. Pretendo também levar para a administração programas de prevenção ao estresse crônico, ao burnout e ao adoecimento emocional.

Renan: Teremos um governo que separa o servidor da elite do funcionalismo. A estabilidade continuará nas carreiras típicas de Estado. Nas demais (para quem ingressar depois da reforma), dependerá de desempenho. Em troca, o bom servidor ganhará uma carreira que avança por mérito, bônus por resultado e mobilidade entre órgãos.

Caiado: Nosso governo vai respeitar o servidor que cumpre bem a sua função, ou seja, que serve bem aos cidadãos. Esse tem de ser o foco. Sem corporativismo e sem antagonismos desnecessários.

Zema: O foco deve ser sempre a qualidade dos serviços, e não a quantidade de recursos públicos gastos. Para isso, é preciso realinhar os incentivos do setor público, de modo a desenvolver todos os profissionais, valorizar os servidores que atuam em alta performance e cobrar melhores resultados daqueles que atuam abaixo do esperado.

Quais principais mudanças o senhor pretende implementar nesses quatro anos na administração pública?

Lula: Queremos uma legislação para coibir supersalários, gestão por desempenho. Vamos ampliar a avaliação da população sobre os serviços públicos e dar continuidade às carreiras transversais. O uso de IA (inteligência artificial) de forma ética ajuda a ampliar a produtividade, mas com supervisão humana, e vamos reforçar a qualificação contínua dos servidores.

Cury: Primeiro, promoveremos uma ampla digitalização e uma integração da máquina pública. Segundo, quero estabelecer metas claras de desempenho e indicadores transparentes de qualidade dos serviços. Terceiro, vamos enfrentar desperdícios, privilégios e excesso de cargos de indicação política. Quarto, quero ampliar a capacitação contínua.

Renan: São três frentes. Primeiro, reforma da gestão. Vamos criar um órgão central de RH forte e consolidar carreiras em estruturas mais longas. Vamos implantar avaliação de desempenho de verdade. A segunda é o fim dos supersalários. Por último, gestão por resultado. A Lei de Responsabilidade Gerencial terá metas e consequências.

Caiado: O que vai ser bem diferente é que nós vamos melhorar bastante a qualidade dos serviços prestados à população, sobretudo usando mais tecnologia e inteligência artificial. Dá para produzir melhores resultados sem ter que inchar mais a máquina.

Zema: O Estado brasileiro precisa passar por uma Reforma Administrativa voltada ao ganho de eficiência e qualidade do serviço público. Queremos que as ações do governo passem por planejamentos reais, com metas e mensuração de resultados. Acreditamos que o ganho de eficiência permitirá resultados melhores e servidores mais motivados.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, afirmou no início deste ano que é esperada a aposentadoria de 70 mil pessoas no serviço público federal até 2030. Se eleito, o senhor trabalharia para repor esse número? Se sim, como? Se não, por quê?

Lula: Será mantida a lógica do CNU (Concurso Nacional Unificado), mas com estudos sobre como usá-lo em estados e municípios. A ideia é continuar modernizando cargos e funções para contratar em áreas estratégicas, privilegiando carreiras que atuem em mais de um órgão e competências alinhadas às necessidades do futuro, como mentalidade digital.

Cury: Não faria uma reposição automática. Também não cometeria o erro de deixar áreas essenciais sem profissionais. Faremos um raio-X: há áreas que precisarão de vagas repostas integralmente ou até ampliadas; outras vão exigir menos. Concursos públicos continuarão sendo fundamentais, mas deverão partir de planejamento.

Renan: Concurso continuará sendo porta de entrada. Vamos aplicar a Lei Geral dos Concursos, com provas nacionais unificadas, repor onde falta gente. Cada vaga aberta passará pela pergunta: essa função precisa existir do jeito que existe? Onde houver déficit, haverá concurso. Se ficou obsoleta ou pode ser feita com tecnologia, não voltará.

Caiado: Desde 2016, o número de ativos tem decrescido, uma evidência de que é possível atender a população sem inchar mais a máquina além do que o atual governo já contratou com novos concursos. Nosso foco está em reduzir funções de confiança e cargos comissionados. Já somam cem mil; nove mil contratados pela atual gestão.

Zema: O candidato não respondeu à coluna sobre a questão dos concursos públicos ou sobre a reposição de pessoal.

Fonte: Extra (RJ) / Imagem: Agência Globo